Embora para alguns sejam a mesma coisa, o conhecimento são informações que adquirimos e a sabedoria é o uso prático e inteligente destas informações. O conhecimento é adquirido pelo nosso exercício intelectual, frequentando escolas, lendo, recebendo informações pela mídia em geral, etc. Mas a sabedoria só virá, quando conseguirmos interiorizar e vivenciar estes conhecimentos. Não é uma tarefa fácil. Vai demandar inúmeras reencarnações. Em nosso meio, ainda é comum encontrarmos companheiros estudiosos e assíduos frequentadores das casas espíritas, com grande conhecimento das informações fornecidas pelos milhares de títulos de livros já publicados. Mas muitos são incapazes de um relacionamento amigável e fraterno. Ofuscados pelo conhecimento adquirido, vivem em um mundo a parte, pois ainda não conseguiram utilizar desta luz libertadora - que é a mensagem do Cristianismo Redivivo, para superar as mazelas morais que os atormentam. Confundem conhecimento com sabedoria, a exemplo dos antigos doutores da lei judaica, que frequentavam o grande templo de Jerusalém, recitando mecanicamente os ensinos de Moisés, mas sem qualquer espírito da verdadeira caridade com o próximo. Em outras palavras, privilegiam demasiadamente os aspectos científicos e filosóficos da Doutrina Espírita, mas negligenciam a vivência moral dos ensinamentos cristãos.

Interessante que por diversas vezes o Mestre Jesus chamou a atenção sobre este aspecto e no Evangelho de Mateus (7:24-27), quando profere um ensinamento que é oportuno recordar: “... aquele que ouve meus ensinamentos e os põe em prática, é como se construísse uma casa sobre a rocha, vem à tempestade e nada acontece. Mas aquele que me ouve, mas não vive estes ensinamentos, é como se construísse a casa sobre a areia. Vem à tempestade e a casa é destruída”. Jesus demonstra, de forma simples, um exemplo prático entre a diferença do conhecimento e da sabedoria e das nossas dificuldades em interiorizar estes ensinamentos. Construímos casas mentais com os nossos conhecimentos, mas temos dificuldades em edificalas sobre a rocha, ou seja, a vivência cristã!

Outro aspecto interessante deste tema é a questão do autoconhecimento. O nosso eu, continua sendo um grande estranho para a maioria das pessoas. Um paradoxo, considerando a época atual, da difusão global do conhecimento, pelas facilidades de comunicação. Temos conhecimento, mas não sabemos ou nem nos interessamos em utilizá-los. Como ser feliz, se me desconheço? Como corrigir os meus defeitos, se ignoro os meus erros? Como buscar o caminho da felicidade se não sei exatamente aonde quero ir?

Na história “infantil”, Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll), o gato listrado, quando perguntado por Alice sobre o caminho a ser seguido ao se deparar frente à uma trilha com duas opções, respondeu então para ela: “se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho pode servir”.“Se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho pode servir”. Se nós não nos conhecemos, como saberemos optar pela melhor escolha entre as opções de caminhos que a vida nos oferece? No antigo templo erigido ao Deus Apolo, na cidade de Delfos na antiga Grécia, existia um ensinamento: “Conhece-te a ti mesmo”. Posteriormente, Jesus (João 8:32) deixou um grande ensinamento sobre isto: “Buscai a verdade e ela vos libertará” Qual verdade? A verdade sobre nós mesmos!

O fato de termos reencarnado em um mundo de expiações e provas, nos coloca muitas vezes em situações extremas de estresse. Assim, aquele indivíduo que possui um grande conhecimento filosófico-religioso, é flagrado em verdadeiro destempero, frente a um simples engarrafamento de transito."Aqui, no sabor das experiências terrenas, provamos a nossa verdadeira personalidade, que são as experiências evolutivas que surgem sem aviso prévio." Outro, em seu lar, perde a paciência com a esposa e filhos por questões banais, desdizendo tudo que aprendeu (ou pensava ter aprendido) no estudo ou na frequência ao centro espírita. Estas experiências simples ou complexas devem servir como um alerta sobre as dificuldades que estamos enfrentando em transformar o nosso conhecimento em sabedoria. Mas podemos mudar de atitude! No mundo espiritual (na erraticidade), estávamos em relativa zona de conforto. Aqui, no sabor das experiências terrenas, provamos a nossa verdadeira personalidade, que são as experiências evolutivas que surgem sem aviso prévio.

Esta associação do conhecimento à sabedoria, com certeza permite que possamos continuar a incentivando a necessidade de adquirirmos o conhecimento, pois este é indispensável para o nosso crescimento intelectual, mas temos de sempre valorizar o aspecto de seu uso na forma inteligente de proceder (sabedoria). Esta é uma receita simples da felicidade. Da mesma forma que temos a energia, na voltagem correta para um fim útil em nossas residências, temos de buscar dosar o conhecimento junto à interiorização destas informações, na vivência prática destes aprendizados em nossa vida cotidiana.

Sobre o autor

Álvaro Augusto VargasLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aliquam ut varius felis. Proin convallis metus ac quam pharetra, ut dapibus ligula dapibus. Etiam vel viverra ipsum. Proin tempor ante non ante pellentesque vehicula. Nunc aliquam laoreet augue quis tristique. Aliquam eu hendrerit turpis. Integer placerat sem velit, vitae mollis massa dignissim et.