Esta expressão é bastante divulgada, demonstrando a sabedoria do povo. Isto porque existe uma grande diferença entre as boas intenções e as ações realmente praticadas. Temos várias situações registradas na história de nossa civilização, onde sob a pretensa “boa intenção”, gerou fatos lamentáveis.

Recordamos o período feudal na Europa, onde sob a alegação de proteger os lugares sagrados na antiga Palestina, conduziu milhares de soldados em uma “guerra santa”, contra os mulçumanos. Milhares de civis inocentes foram massacrados, sob o pretexto desta “boa intenção”. Na sequencia de ações lamentáveis, tivemos também a inquisição naquele continente, que foi conduzido pela igreja católica, onde sob a alegação de “salvar” os hereges, perseguiu e condenou milhares de inocentes que foram torturados e levados à morte na fogueira. Mais recentemente, no século passado, com a “boa intenção” de defender os interesses da Alemanha para superar as dificuldades econômicas, Hitler e seus comparsas além de conduzir a nação para a Segunda Guerra Mundial, onde morreram só na Europa mais de 90 milhões de pessoas, ainda levou para a câmara de gases seis milhões judeus inocentes, entre eles mulheres e crianças.

Isto aconteceu porque na percepção das mentes ainda desprovidas de moral e bom senso, estas consideram que “o fim justifica os meios”. Assumem que basta a “boa intenção”, para tudo tornar-se lícito. De certa forma isto explica a situação atual do Brasil com os escândalos mais recentes sobre corrupção que assolam a nossa nação. O ser humano parte para a prática dos maiores abusos, considerando-se justificado, sem uma análise coerente das suas ações e de seus efeitos desastrosos. Os cruzados recebiam as bênçãos dos religiosos, e partiam para os crimes no Oriente Médio, na convicção de que cometer todas as atrocidades possíveis contra os mulçumanos estava correto. No velho continente, a perseguição aos judeus também se alicerçava em justificativas falsas, totalmente desprovidas de qualquer caráter moral ou fraternidade humana. Infelizmente, esta insensatez perdura até hoje. Onde o bom senso? Deus nos deu a consciência do que é certo e errado. Se o homem insiste em buscar uma justificativa para os seus mal feitos, de forma a aplacar ou sufocar esta voz interior que tenta leva-lo para o caminho correto é unicamente devido a sua própria inferioridade moral que o deixa cego e surdo para as realidades morais da vida.

Fomos criados como Espíritos simples e ignorantes, e evoluímos através do tempo, por nosso próprio mérito, através do aprendizado na vivência diária mundo espiritual assim como almas encarnadas neste planeta, gradativamente melhorando o nosso padrão moral e intelectual. Temos o livre arbítrio, portanto a velocidade deste processo depende de cada um, podendo estacionar ou mesmo se comprometer contraindo débitos perante mundo maior. Mas a melhor opção evidentemente é evoluir, aproveitando as oportunidades que Deus nos oferece para trabalhar e aprender nos dois planos da vida (material e espiritual). Desta forma a intenção é importante, mas apenas como elemento motivador das ações que serão efetivadas na sua sequência natural. As atitudes, é que trarão os resultados positivos ou negativos daquilo que foi uma “boa intenção”.

Um antídoto para evitar-se que este adágio popular “o inferno esta cheio de boas intenções” se realize, é o desenvolvimento do bom senso na humanidade. Enquanto homem ficar apegado ao orgulho, a arrogância e ao egoísmo, e não desenvolver a sua autocrítica e buscar corrigir-se, continuará agindo como um cego-surdo, avesso a qualquer sugestão de cunho moral superior. Continuará a semear as sementes das iniquidades, com colheitas desastrosas para esta e outras existências dentro do ciclo reencarnatório natural. Sensato, portanto, aprender a ter olhos de ver e ouvidos de escutar, conforme ensinado pelo Profeta Galileu (Mateus, 13:14), de modo a que as nossas boas intenções realmente possam se transformar em ações realmente edificantes.

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Álvaro Augusto VargasLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aliquam ut varius felis. Proin convallis metus ac quam pharetra, ut dapibus ligula dapibus. Etiam vel viverra ipsum. Proin tempor ante non ante pellentesque vehicula. Nunc aliquam laoreet augue quis tristique. Aliquam eu hendrerit turpis. Integer placerat sem velit, vitae mollis massa dignissim et.