O índice de letalidade do suicídio no mundo atingiu proporções estarrecedoras. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no ano 2000, para um estudo em todo o mundo, o número de mortes por suicídio (49%) foi praticamente o equivalente ao de todas as guerras juntas (19%) somadas daquelas que foram originadas em todos os homicídios ocorridos (32%). Entre os “motivos” alegados pelos que estão pensando em seguir neste equívoco, está a intenção de fugir do sofrimento, incapacidade de resolver os problemas pessoais, desequilíbrios físico-psíquico-espirituais, materialismo, desgosto pela vida, vícios, etc.

O Espírito é imortal, e a destruição de nosso corpo físico não implica em “matar a alma”. O espírito do suicida permanecerá ligado ao corpo físico sem vida, o tempo que deveria ter permanecido ainda encarnado na Terra. Sofre a agonia do ato praticado ininterruptamente, sentido a dor, a fome o frio, nas regiões onde fica confinado. Ivone Pereira descreve com detalhes os sofrimentos de Camilo Castelo Branco, na obra “Memórias de um Suicida”. É um depoimento que todos deveriam tomar conhecimento. De acordo com o Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. V, 16), a incredulidade, a simples duvida sobre o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio; ocasionam a covardia moral.

Na verdade, o suicida é um assassino frio e egoísta, pois não avalia o sofrimento que será afligido ao outros. Pelas leis da justiça Divina, a punição é semelhante à de um presidiário que foge antes de cumprir a sua pena. Embora exista atenuantes para cada caso, o sofrimento do suicida representa uma das desencarnações mais dolorosas. Esta solução falsa para qualquer estresse que possamos estar vivendo, demonstra a grande necessidade de esclarecimento da população humana. O Espiritismo ao trazer o depoimento dos espíritos de suicidas, através dos médiuns em centros espíritas, informa sobre a situação de sofrimento muito maior que aguarda a todos que comentem este ato de insensatez. Além disto, ao explicar através da fé raciocinada os mecanismos da justiça Divina, a reencarnação, da vida na erraticidade, etc. o Espiritismo proporciona o consolo necessário para os indivíduos suportarem a experiência terrena, por mais difícil que esta possa parecer no momento. Ninguém se encontra ao abandono, e Deus é justo, nos dando as condições de superarmos as nossas dificuldades.

Embora Jesus tenha ensinado que “nenhuma ovelha se perderia de Seu rebanho” (Mateus, 18:14), o processo resgate e de recuperação daqueles que cometeram o suicídio é lento e doloroso. O testemunho de Camilo Castelo Branco, sobre o que passou durante o tempo em que esteve confinado no Vale dos Suicidas (região no plano espiritual, próxima ao Umbral), assemelha-se a um verdadeiro filme de terror. Tanto, que apenas Espíritos evoluídos e de elevada estirpe moral, responsáveis pela assistência aos enfermos no Vale dos Suicidas, são capazes de manter a serenidade necessária, na observação e acompanhamento de todos os que se encontram neste estado de desequilíbrio. A selvageria a que se entregam estes suicidas, uns contra os outros, conforme é relatada por Camilo, por se encontrarem ainda muitos ligados ao copo material em decomposição, é estarrecedor. Todas as sensações de necessidade alimentar, sede, sexo, manifestam-se com igual intensidade de quando estavam ainda encarnados.

Depois de atravessar este período doloroso nas regiões onde fica confinados, o suicida é preparado para novas reencarnações. As primeiras são programadas para contribuir no processo de “cura” de seu corpo espiritual que foi mutilado. Assim, reencarnam com problemas mentais, aqueles que tiraram a vida com um tiro no cérebro. Cardiopatias, se o alvo foi o coração. Paralisias do corpo, se o instrumento causal da morte foi provocado por quedas ou enforcamento, enfermidades crônicas no estomago e garganta, se a morte se deu pela ingestão de alguma substância tóxica. Existem também os “retalhados”, aqueles que se jogaram em frente a um comboio de trens, tendo sido o corpo físico triturado pelas rodas. Raciocínio equivalente se aplica para os chamados homens-bomba, que tiram a própria vida e de outros em atentados terroristas. São casos de tratamentos de recuperação ainda mais complexos e dolorosos.

Após reparar o corpo espiritual nesta expiação dolorosa, o suicida pode ser encaminhado para repetir a mesma prova em que fracassou. Terá o livre arbítrio de repetir o ato tresloucado ou não. Mas a prova será sempre mais pesada que a anterior, como necessidade de reparação moral do Espírito. O corpo humano é um empréstimo de Deus. Somos responsáveis por ele. Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, sendo um ato de extrema rebeldia à vontade de Deus. O impacto deste ato, além de vitimar o infrator, atinge também familiar e amigos, que ficam ao abandono pela fuga irresponsável dos que o cometeram.

O melhor remédio para esta loucura é a prevenção. Quanto mais esclarecido estivermos, teremos condições de evitar esta alternativa equivocada. Em todo o mundo, a taxa de suicídio aumentou em 60% nos últimos 50 anos, demonstrando a grande necessidade de divulgarmos mais este assunto, e as suas implicações espirituais. Considerando que estamos atravessado uma época de transição planetária, com o agravamento das dores e aflições, mais do que nunca o esclarecimento sobre o suicídio torna-se necessário e urgente, de forma que os indivíduos em provas e expiações possam procurar alternativas para solucionar os seus problemas, evitando ser arremessados em um mecanismo de recuperação extremamente doloroso.

Sobre o autor

Álvaro Augusto VargasLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Aliquam ut varius felis. Proin convallis metus ac quam pharetra, ut dapibus ligula dapibus. Etiam vel viverra ipsum. Proin tempor ante non ante pellentesque vehicula. Nunc aliquam laoreet augue quis tristique. Aliquam eu hendrerit turpis. Integer placerat sem velit, vitae mollis massa dignissim et.